quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Beijo

Acho que o roubei o primeiro beijo.

Igual aqueles que, na meninice, rouba-se do amiguinho mais querido, “perfeitinho”, especial.
De certo modo, o beijo foi mesmo num amigo desses, mas distante. Sem cheiro e nem gosto. Sem peso ou mão.
Foi num menino com a casa nas costas. Que ria e se escondia – tentava - atrás da coluna. Ria e quase não me achava.
Se fecho os olhos ainda posso vê-lo brincar.
Um beijo pode ser alegria do reencontro, carinho extravasado, atracar no porto certo.
Pode ser parque de diversão, recompensa e até alento.
Para tantas horas de voo
Ou tantos anos de espera.






domingo, 26 de dezembro de 2010

Banzo

Não sei se tenho mais saudade de você ou de sua cidade.
Agora, sofro de um banzo às avesas por tudo que ainda não vivi.

Te amo. em nosso primeiro natal.

MLJ

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

O visitante

Nas primeiras horas do dia ele chegou.
Trouxe consigo paz e a felicidade em seu sorriso sem som.
O cheiro da pele que se esforçou para sobreviver na memória.
O tempo que dá tempo de sorver o amor. De xícara e tabaco. Riso e afago. Lento e precioso
Ele veio
E ela sentiu que era mais
Inclusive feliz.


Foi tudo tão rápido e bom, que ainda é dificil entender que você não está mais aqui.
Ficou promessa de um volto logo (sem nunca ter partido). O desejo de te encontrar numa esquina amazônica. Uma certeza quase ingênua que isso ocorrera no instante seguinte.
As lembranças trasnbordam o olhar que já não é o mesmo sobre a cidade.
Esperando aviões. Esperando você.

MLJ

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Acorda

E quando eu vou embora

Eu sei que meu coração pode ficar com meu amor
É compreensível
Está nas mãos do meu amor
E meu amor faz isso bem
Meu amor faz isso bem


E quando os armários estão vazios
Eu ainda acho algo lá com meu amor
É compreensível
É todo lugar com o meu amor
E meu amor faz isso bem


Meu amor faz isso bem
Eu amo o meu amor
Somente meu amor segura a outra chave para mim
Meu amor, meu amor
Somente meu amor faz bem isso para mim


Meu amor faz isso bem
Nunca me pergunte porque
Eu nunca digo adeus ao meu amor
É compreensível
É todo lugar com o meu amor
E meu amor faz isso bem


Meu amor faz isso bem
Eu amor o meu amor
Somente meu amor faz bem isso para mim
(My Love - "Sir" Paul)


Sob a luz azul da tv, me misturo entre lágrimas, lençol e sua ausência.
A matéria saudade pesa demais quando o ouvir não te alcança.
- Acorda. Não me deixe tão em paz...
(porque isso já parece um vazio)
Vem ouvir o Paul
E me salve da falta
Pois somente você faz bem isso.


MLJ

sábado, 20 de novembro de 2010

Dos dias bons



Silêncio.
Para me entender melhor.
Solidão.
Para tirar férias em mim.
Distância
Para lembrar do que (de quem) seja verdadeiramente relevante.
Orar
porque tenho o que agradecer, pelo que chorar e do que me arrepender.
...

Hoje, e por muito tempo, é proibido me roubar de mim. Impedir minha doação às efemeridades, porque nelas sou mais feliz. Sem reboliço, sem excessos ou exaustão.
Fase intimista. Nada de super população no pensamento, mas, num intenso flerte com a serenidade.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Seu céu veio me visitar

O céu de hoje não se vê muito por aqui.
De um branco gelo, quase cinza. Cor morta, inexpressiva.
O habitual amarelo estava preguiçoso. Ainda dormia.
Eu já vi esse céu antes. O vi com você.
Lembrei do quanto já te amo. E quase isso a sua cidade.
Mas esses amores prescindem de tempo. Ou de visita, não?
Não. Parece que não.
MLJ



quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Outras tantas possibilidades

Porque nunca isso antes?
Como foi que cheguie aqui sem ao menos notar?
E se você tivesse ficado rico?
Se seu último amor ainda fosse o atual?
Se eu tivesse me deixado engedrar pela mesmice, pelo mais cômodo e óbvio?
E se não houvesse um dia 12, um vaso, violetas e presentes atrasados?
Como seriamos se o (pseudo)seguro tivesse me impedido de te ver?

...Das outras tantas possibilidades de estar neste exato lugar, deste exato modo, eu nunca saberei. Mas de certo, hoje teria sido mais uma sessão de cinema com o toque da solidão, de uma felicidade abortada, um viver desprendido... por ser solitário.
E se me falta lhe terao alcance dos meu carinhos de pele, nunca se afasta dos meus carinhos de alma.

Suprema felicidade parece ser não fugir do que a vida pode oferecer.Nem tão certa, nem tão errada.

ETA
MLJ

domingo, 24 de outubro de 2010

Sobre sapatos e desculpas

Eu só queira que você soubesse...
Que de tanto te querer, temo não te ver mais. Nunca mais.
Que eu me envergonho de não ser tão compreensiva com as tantas coisas, com os tantos quilomentros, que nos mantem separados
Que um dia desses cresço e me torno tão certa das minhas dúvidas e certezas quanto você


Queria também que você soubesse...
Que não vou esperar mais que algo especial aconteça apenas por ser uma data
(porque pequenas coisas podem ocorrer e não quero que elas percam a devida importância).
Que eu usei o par de sapatos que você escolheu pra mim
Por acreditar que eles não mereçam a punição da espera indeterminada...


Mas, se você diz que ainda vem. Tudo muda. Eu mudo
Limpo os meus saltos e apago da memoria o dia em que duvidei do futuro
E voltaremos a ser novos. Eu e eles
Como pede o nosso (re)encontro de almas.


Desculpa.


MLJ

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Italianissimo

Quando tudo ao meu redor anda desinteressante e 'monocromático'.
Quando nada fala sobre mim e como me sinto, não resisto e fujo.
Busco um pouco de paz. Um silêncio que possa vir de dentro. Algo entre as idéias e o coração.
Desligo do mundo pra tentar me encontrar...
 ...
Mas por aqui só há você


Atrevessiamo!

domingo, 17 de outubro de 2010

Ode ao meu ódio (ou ao ciúme?)



"Às vezes te odeio por quase um segundo..."

O problema é que o tempo do ódio passa devagar. Espichado, longo. A duração de uma dor. Do ciúme que a alimenta.
Minha avó já dizia para não brincar com vespeiro. Lembrei que a desobediência à sensatez  me acompanha desde as fraldas.
Sim, eu poderia ter escolhido só o lado prata da lua. A brisa do fim de tarde. Saber da existência do passado somente em folhas distante do seu diário.
Acreditando ser inatingivel pelo "óbvio", quase imponente e certa de que minhas sessões de psicoterapia me valem mais do que qualquer lindas unhas vermelhas envoltas pelos seus dedos, eu brinquei  com meu egoísmo. Advinha? Me dei muitíssimo mal.
Ganhei segundos, vários deles, de ódio por te querer.
Ah, como te odeio por teres violado a mão que tanto amo e venero com um anel que não era meu.
Por teres amado antes de me conhecer.
Por ter sofrido com a distância que não era a minha.
Por teres suposto que a tua perfeição era com outro alguém.
Te odeio, te odeio. E faça-nos um favor, acredite na intensidade desse meu afeto, ainda que ele seja passageiro.
Nessas horas, o inevitável. O sal que rolou no rosto impregnou um amargo na boca.
Injusto, muito injusto.
Meu pobre narcisismo só queria ter te encontrado dentro de uma caixa lacrada, ansiando por mim.
Sem passado. Sem tantos anéis. Sem referência de outros amores. Sem fotos, principalmente.
Ser o primeiro "inusitado" caso de amor. Ser o único. O que te ensinou que longe pode ser perto e acompanhado...
Não, não tente explicar nada. Eu sei de tudo. Das argumentações, das minhas particularidades e, sobretudo, especialidades.
Aquele namorado da foto não era o meu, ok!
...
Agora, só convença o meu ciúme disso.

M

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

É natal... para os paraenses

A minha cidade vai se movimentado diferente e gostoso
É gente que chega do rio, do ar...do negro asfalto.
Andando, correndo. Quase sempre rezando
Gente que vem de longe, porque a cidade lhe vive bem pertinho do peito.
De perto vem também, sim.
E vem em ondas, marés. Porque somos mesmo muito água. Rios que se disfarçam de mar.
E nos multiplicamos, tomamos ruas, transformamo-nos em muitos, em alguns instantes, incrivelmente, uno.

Mesmo que muito já se tenha dito sobre essa cidade especialmente viva em seu "natal"
Dificilmente alguém que não tenha nos visto com lágrimas nos olhos quando Ela passa
Ou tenha sido convidado para mesa do nosso mais típico (e não menos forte) almoço
Entenderá do que falo. Sinto. Eu, muitos ou todos nós.
É como se todas as agruras de uma vida supostamente moderna sucumbissem ao simples, por isso mesmo tradicional, encontro de gente. A nossa. Família e famílias de laço que se atam no coração.

No próximo ano, se desejar uma experiência singular que se inicia no sagrado, mas que flerta com o profano.
Que durante todo esse namoro é intenso e vívido como o povo que lhe produz
Te convido para visitar Belém, A cidade das mangueiras, num domingo pra lá de especial. O segundo de Outubro.
Nesse dia rezamos, comemos e festejamos a todos que queremos bem.
É o círio de Nazaré.
A cidade que se pinta de amarelo e branco, com certeza vai te abraçar e te receber muito bem.
E você sabe o que dizem por ai: quem vai ao Pará, parou. Bebeu açai, ficou!




No mês de Outubro, em Belém do Pará são dias de Alegria e muita fé
Começa com extensa romaria matinal o Círio de Nazaré
Que maravilha a procissão e como é linda
A santa em sua berlinda e o romeiro à implorar
Pedindo a Dona em oração para lhe ajudar

Ò Virgem Santa olhai por nós
Olhai por nós Oh! Virgem Santa
Pois precisamos de paz

Em torno da Matriz as barraquinhas com seus pregoeiros
Moças e senhoras do lugar três vestidos fazem pra se apresentar
Tem o circo dos horrores carro-Boi, roda-gigante
As crianças se divertem neste mundo fascinante
E os vendeiros de iguarias à pronunciar
Comidas típicas do estado do Pará
Tem Pato no tucupí mussuã e tacacá
Maniçoba e tucumã açaí e aluã




* Círio de Nazaré: manifestação religiosa, de orientação católica, que ocorre todo o segundo domingo de Outubro nas ruas do centro de Belém-pa. Também é denominado de "o natal dos paraenses" por sua tradição na cultura  local e pela mobilização que causa na cidade.
 Este ano, são esperados mais de 70.000 turistas para quadra nazarena.
A procissão, que percorre cerca de 5km, indo da Catedral da Sé em direção a Basílica de Nossa Senhora de Nazaré, arrasta aproximadamente 1 milhão de pessoas durante seu trajeto.
   

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Para quem desabrochou: Tulipa

Ainda que eu me esforce para expressar o quanto fui feliz. Inteira. Sua.
Ainda que eu rememore todas as sensações que me deixaste na pele e alma.
E tudo, e muito, ou o quanto for o esforço para extrair de mim uma verdade essencial dos dias em que te tive.
Só você. Apenas você sabe e registrou o dado momento do meu êxtase por uma nova e melhor existência.
Concordo que eu não poderia ser outra coisa que não uma menina maravilhada com tudo o que eu acabara de descobrir sobre mim. Talvez porque  já sabia e queria tantas coisas sobre nós.
Não temo mais ser assim tão pura, tão inebriada pelo o que desconfio que seja amor.
O que vivi só serviu para que eu reconhecesse que nunca havia me encontrado antes de me doar a você.
Fico, fico, fico.

MLJ


"Como uma estória que invento o seu fim
quero inventar um você para mim
vai ser melhor quando te conhecer.
olho no olho e flor no jardim
flor, amor, vento devagar
vem, vai, vem, mais"
Tulipa Ruiz- Do amor



quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Quem chega sem avisar, veio pra ficar?

Quando dei por mim, estava esperando grandes (grandes mesmo) comentários às linhas que saiam dos meus equivocados relacionamentos. Ora indo, ora vindo. Quase nunca no lugar certo. Eram convulsões em forma de textos. Tudo ardia e nada se explicava. Urgente e necessário porque longe daqui flerto com um pseudo distanciamento de tudo que possa me provocar umcerto descontrole. Eu  finjo. Há quem acredite.

E deu-se um tempo em que me visitar já era lê-lo, rir e me surpreender com os pequenos signos e sua capacidade de alentar a alma, ainda que tudo em mim carecesse do concreto, do ao alcance do tato, que são todos vizinhos da visão. Mas, como diria o velho Buk, o amor é um cão do diabos. Sorrateiro, disfarçado, e por vezes, enigmático. Não vem com manual de instruções. Nem garatias. Nem rede de proteção. "Quem é podre que se quebre?"
Ainda hoje não sei bem quando você transcendeu de "caro amigo" para "melhor namorado". Quando se tornou inevitável lhe escutar por horas. Quando foi impossivel dormir sem você.  

Então, depois de muitas luas, chuva e trabalho. Madurgadas, amanhecer e cafés. Cinco horas de voo e frio de rachar os ossos de qualquer paraense, coloquei todos os meus sentidos a serviço do que eu já sentia, sabia: É muito bom chegar em casa!

Agora, olho pela janela e vejo um predio envidraçado, verde. Esperança. Você está nele, em algum lugar, mas,  não menos do que está em mim. E que permaneça o tempo que lhe for permitido e desejado, pois só me resta esperar que o fim, e o caminho que leva até ele, seja feliz.

"Vou para ti...vou para teu encontro...como fui no dia que chamou-me ao telefone"  (J.C)


MLJ

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Última paixão

Minha última paixão avassaladora: a forma como tocas o nariz com o polegar.
Porque das tantas coisas que gosto em você, são seus pequenos gestos, aqueles quase imperceptíveis a outros olhos, os que me arrebatam e extinguem qualquer possível distância entre nós.

(Há o4 dias da primavera)
MLJ

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

"Onde a dor não tem razão"

Canto
Pra dizer que no meu coração
Já não mais se agitam as ondas de uma paixão
Ele não é mais abrigo de amores perdidos
É um lago mais tranqüilo
Onde a dor não tem razão


Nele a semente de um novo amor nasceu
Livre de todo rancor, em flor se abriu
Venho reabrir as janelas da vida
E cantar como jamais cantei
Esta felicidade ainda


Quem esperou, como eu, por um novo carinho
E viveu tão sozinho
Tem que agradecer
Quando consegue do peito tirar um espinho
É que a velha esperança
Já não pode morrer
 (Samba enrredo da Portela)


No meu Gremio Recreativo da Felicidade transborda-se bem-querer por todas as alas.
Falar de nós, sentir o que já somos a tanto, há tempos, é o melhor samba enrredo.
E em mim as trasnformações tem se dado antes que qualquer censura me visite a boca, as idéias ou mesmo o coração.
Quero dançar com você!


MLJ

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Primavera 2010

"...Abre essa janela, primavera quer entrar
Pra fazer da nossa voz uma só nota.
Canto que é de canto que eu vou chegar
Canto e toco um tanto que é pra te encantar
Canto para mim qualquer coisa assim sobre você
Que explique a minha paz. Tristeza nunca mais"

(Casa pré-fabricada - Los Hermanos)


Quando a nossa primavera chegar
Ainda que o ar esteja demasiadamente seco
No meu peito nunca mais deserto ou solidão.

MLJ

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

"Quando vi você, me apaixonei"

Eu me fiz menina. De mãos nervosas, agitadas e tão frias quanto a sensação que me reinava o estômago.
E sentei e esperei, sem saber como seria atingida pelo que me entraria pelos olhos. Mentia. No fundo já sabia, sempre soube, porque já desejava tudo isso muito antes do primeiro sinal de sua concretude.
- Já te disse que quando nervosa tenho um riso compulsivo? 
Eram risos vindo de muito longe, da alma, creio. E irrompiam de anos de aridez, desconfiança e muita economia de mim mesma. Porque antes de nós, fui demasiadamente mansa, distante. Enigma certo para as pessoas erradas.
Enfim cheguei num lugar bom. Estou diante de você.
Seus gestos, sorrisos, e tudo que julga lhe ser imperfeito, eu já amo. Mão, boca. Uma barba para receber nuca, costas e todo meu ser. Eu me rendo a cada sinal vindo do seu corpo. E já nem me lembro dos dias em que fiz uso de tanta invisibilidade.  
- Você existe, você existe!!
Preciso renovar essa emoção de lhe ver. Quero ser para sempre essa menina livre das cicatrizes de mulher. Sei do meu vício por palpitações e pelo novo. E fico imensamente feliz em reconhecer que de você, tenho sempre uma surpresa que me indica que o melhor é permanecer ao seu lado. Nunca distante. Mesmo que assim queira a distribuição - temporária - das pessoas sobre a terra.
Não quero uma janela, mas um horizonte inteiro onde possas ser a paisagem.
Que bom ter me contrariado e me visto com nitidez assustadora. Que bom ter sido surpreendida pelo seu ímpeto e grande certeza de que ainda vale a pena tentar.

MLJ


quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Calendário

Eu tenho um calendário dentro de mim.
Onde o tempo transcorre só para nós. Descompromissado com as leis alheias, com qalquer dimensão que não seja visitada por nosso querer.
No meu calendário marco as horas que faltam para te encontrar e repousar de tantas batalhas desnecessárias. Para descobrir pra quem me fiz até aqui. E o que se pode fazer com tudo que nos arde. Madrugadas a dentro, dias a fora.

Escrever tem sido pouco para quem quer - tanto, muito e sempre - o tato.
Rompo com linhas e atravesso o país!

domingo, 5 de setembro de 2010

Carla

Ela também era uma mulher dourada. Melhor, platinada.
Dessas que dita moda. A primeira a pintar as unhas de rosa chiclete e azul cobalto. A usar pulseiras de couro com cristais (que nos iludiamos serem swarovski). A única demente o suficiente para fazer das sombrancelhas uma tatuagem.
Falava porra e caralho, mas arrematava o dizer nos chamando de "chuchu" ou "flor". Era mesmo de aparentes contraditórios. Estranho pra você? Demonstração de carinho para nós. Talvez, reatividade seja o forte do nosso grupo. Ou estejamos num outro nível do "estar com".
Era de gêmeos. E como bom espécime desse grupo, seu sobrenome era inconstância e sedução.  Ora dieta, ora chocolate. Ora religiosa, ora mundana. Todo tempo envolvente.
Avolumava uma sala, uma mesa. Todo o ambiente ao seu redor. Bolsas, sacolas, garrafa e vitaminas. Bobis de cabelo, corretivo e creme anti-rugas.
Não ia ao trabalho. Ia a uma festa. Fazia dos nossos encontros celebração. Se divertia. Nos divertia.
Se amava? Só amava. E trepava, como ela mesma gostava de dizer. E todas as variações de demonstração de afeto que podemos imaginar.

Ficou uma saudade. Um riso ecoando no abrigo e em nossas conversas e em nossos corações.
Mas ainda somos as mesmas pessoas que copartilhavam com ela as piadas mais safadas, as puladas de cerca mais escabrosas. O prazer de sentir prazer e não se envergonhar por isso.
Assim, é proibrido deixar de rir por essas bandas. E falar sonoros caralhos. E deixar de colocar o nosso Moco Oco na berlinda. E mostrar que mulher é péssima quando é boa, gostosa e muito bem humorada.

Poucos do meu mundo real sabem sobre meu blog. Deste espaço que é catártico para tantos sentimentos, que de intensos, evito contactá-los no cotidiano.
Ela sabia. Me lia. Me incentivava. Lesa, nunca aprendeu a comentar. E vibrava com as minhas juras de amor. Ansiava por meu retorno de SP. E antes que qualquer duvida me viesse a boca, ela dizia que o mais certo era ir e só depois neurotizar. Ah, nós os psicólogos e nossas formas bonitas de dizer: ligue o foda-se, meu bem!

Não sei se os bons morrem jovens. De certo, todos que amamos, bons ou não tão bons assim, morrem antes do que desejamos (se é que desejamos). Antes de nos despedirmos a contento. Antes de podermos perdir desculpas pela briga horrivel e palavras mal interpretadas.
Eu te odiei. E te matei dentro de mim mil vezes. Eu quis que você desaparecesse da face da minha terra.
Por bem, quase nada é do jeito que querermos. O tempo e você se encarregaram de me trazer pra perto novamente. E mais do que nunca, agradeço por não ter resistido a sua eterna sedução. Porque fomos felizes e cumplices como nunca antes. Porque acho que nos pedoamos em silêncio, com o novo.

Saber do seu sofrimento me consumiu por dias. Eu precisei do choro compulsivo. De te ver não tão bonita. De ver as flores te caindo sobre.
Ainda penso e rezo por você. Rezo pelo sucesso do Marcelo na tarefa de cuidar da "Mais Gostosa". Rezo também pelo André. E que sua obra na vida dele se fortifique.

Ainda consigo te escutar cantando, "minha irmã". E como cantavas mal.
Consigo te ouvir perguntando se eu sabia a estória daquela música derradeira. Eu não sabia, e de algma forma era a sua despedida também. Me faz muito sentido agora. 

Porra, filha, valeu pela carona. Boa viagem. Qualquer coisa, me liga.
Vai com Deus!




Não sei porque você se foi
Quantas saudades eu senti
E de tristezas vou viver
E aquele adeus não pude dar...
Você marcou em minha vida
Viveu, morreu
Na minha história
Chego a ter medo do futuro
E da solidão
Que em minha porta bate...


E eu!
Gostava tanto de você
Gostava tanto de você...


Eu corro, fujo desta sombra
Em sonho vejo este passado
E na parede do meu quarto
Ainda está o seu retrato
Não quero ver pra não lembrar
Pensei até em me mudar
Lugar qualquer que não exista
O pensamento em você...


E eu!
Gostava tanto de você
Gostava tanto de você...

 


 

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Eu também fico eufórica quando me faço entender

Era desse tipo de amor que eu falava.
Esse mesmo.
Que liga em meio às correrias de dois mundos
Que é capaz de lhe faz rir de si mesma. De exercitar sua tolerância com tudo o que você ainda não entende.
Era disso que eu falava.Ou sentia. Ou já desejava. (Tá, sempre desejei)
Desse modo de querer que não subtrai, não julga, nem espera por igualdade, mas anseia por complementar-se
Que não invade armários ou revira gavetas porque ganha o direito de saber seus conteúdos.
Que não esmorece pelo que não tem. Se deleita com cada nova mania pra ser vivida à dois. Que faça lembrar os dois.
É. Desse tipo mesmo, que cria signos de cumplicidade
Com fala marota cheia de sacanagem e suspiros que reverbera na alma.  
Que deixa sonhos, amarelados de tanto esperar, visitarem a superfície do poder ser.
Sim, sim, sim
Era exatamente disso que eu falava...

"Eu também fico eufórica quando me faço entender"

SMS

Agora já nem me lembro se dormir com a voz de acalanto ou acordei com o bom dia que aquece todo meu quarto e coração.
Quando dei por mim, estava aqui, com o peito acelerado de tanto bem-querer. Ideias de te encontrar, roteiros para a felicidade. Tudo em turbilhão. Excitação que impede qualquer ato coordenado ou primo da razão. Ahh o que me fervilha por dentro...
Eu gritaria, se pudesses me ouvir. E eu preciso tanto dizer, repetir, ressoar.
Escrever parece um pouco mais coerente, menos invasivo , pois, fica ali esperando o seu tempo de ter tempo pra me olhar.
Segundos pensando...
Desisto. Meus signos tem urgência em te encontrar.

Te Amo!
Fico, fico, fico

Com Sucesso. Em: 16/08/2010>

Tempo

Estes são tempos de se desfazer...
Dos fantasmas do passado. Números guardados e rediscados
De cultivar novos velhos hábitos. A entrega e a confiança. "Pão-duro" sem ter medo de cair
De alongar os dias e encurtar o sono.
Estes são tempos para se ser mais feliz!
De risos soltos, gargalhados
De paciência com o tempo pingado
Do sentir sobrepondo-se ao ver.
...
É que estes são, verdadeiramente, tempos de ser e te ter!

MLJ

domingo, 15 de agosto de 2010

Ser feliz tem me desviado de qualquer outro assunto que não seja eu. Ele. Nós. Setembro.
Meu mundo não é alcançado por TV, jornal ou qualquer informação que não venha pela voz dele, por suas linhas. Eu não pertenço mais ao mundo do previsível, óbvio ou qualquer coisa que não seja este estado interessante de nos consumir exageradamente.
Leio, escrevo, trabalho. Durmo e acordo com o propósito de encurtar a distância entre nós.
Meus tantos outros papéis se tornaram secundários. Me pego desejando ser apenas dele a namorada, companheira e a mais ordinária das fantasias. Sim, sim, sim para todos os convites que ele ainda me fará.
Ando me fazendo melhor pra ele (e pra mim também). Me percebo melhor quando vejo tantos acertos num tecer de vidas e afeto que não compactuam com o tempo em que as outras pessoas vivem.
Eu. Com ou sem panes. Com muitos defeitos e uma enorme vontade de dar certo.
Nós. Porque conquistamos o direito da mansidão do encontro e dos desvarios por tanto nos querer.

Ele. Onde quero chegar.

MLJ 

domingo, 8 de agosto de 2010

Lambrusco




O meu amor quando ébrio, ahh, não tem pra ninguém.
Mistura suspiros de menino com ordens em voz viríl
E me bebe, e me traga, tudo o quanto ainda pode.

Meu amor quando ébrio
Tenho a certeza que é meu é de mais ninguem.
Como nunca antes foi. É no que quero acreditar

Ele quando ébrio
Dorme mais rápido, deixando estalar beijos incompletos aos meus ouvidos
Enquanto falo-lhe segredos que espero que não tenha entendido.

MLJ

sábado, 7 de agosto de 2010

Presente de Angelo

Essa semana ganhei uma selo do já querido e admirado Ângelo, de A viagem de Angelo.
É claro que esses presentinhos virtuais acabam por mobilizar minha vaidade (e atire a primeira pedra quem não se sente prosa com uma explicita aceitação do que  - ou  como - se escreve por aqui) mas, de fato, este selo toma importância porque, assim como o Angelo, apenas a pouco tempo percebi que contatos humanos agradabilissimos podem se dar apartir da blogosfera. Amigos que não sabem o quanto são caros, estimulantes de um pensar diferenciado, de um sentir ímpar. E o amor. Sim, ele, porque não? 
E por tudo isso e por muito que ainda há de acontecer, graças a essas trocas quase confidências entre nossos "diários" é que indico os 10 blogs que pra mim valem ouro!!

Magrelices e Gordurinhas
Poemas Chicletes e Sons
Persona
Ela cor-de-rosa
Vendo e Sentindo
Cleytudo
Solidão Estável
O Baú do Rico
Que tal um café e papo?
Confissões de uma Borboleta

Agora, é só pegar seu selo, publicar quem te presenteou e indicar até 10 blogs que façam por merecer ( aos seus olhos e coração) ser chamado de blog de ouro.
Divirtam-se!

Abraços,
Mônica


quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Meus livros

Os livros que compro, de fato, não pertencem mais aos seus autores. Agora repousa sobre eles apenas um feixe dos que pensaram aquelas linhas antes delas existirem para meus olhos.
Agora os livros são de minha alma. Das sensações e idéias que eles conseguem parir em mim. Porque meus livros guardam meus grifos. Hiper-grifos. Apêndices e traduções do que sou. Por páginas, bordas e contra-capas.
Por isso não empresto a qualquer par de olhos meus livros, alias, pouquíssimos são os merecedores de devassá-los. E não o faço por apego à matéria, mas, por economia com meus segredos e percepção do mundo que me cerca, que pode me atingir.
Ler o manual é devassar a máquina.
Incrivelmente, hoje não me importo com essa possibilidade de ser entendida em pormenores. Desde que ela venha de você.
Falando sem dizer:
Devasse-me!

domingo, 25 de julho de 2010

Scanner

Ontem menos do que hoje. E ainda hoje. Muito
Quero scannear seu corpo com o meu.
Suas curvas, pêlos, cheiro.
Dorso, quadril e tudo o que dizes ser meu.
Quero imprimir-te na minha pele que tem te chamado tanto.
Quando disso, seu registro já não se fará apenas nas minhas idéias
Serás em todo o meu corpo, seios, costas e sexo. Teu sexo. Nosso.
Uníssono em dor, choro e prazer
E depois de tanta urgência de me fazer tua mulher por escolha e doação
Te digo apaziguada e serena:
Dorme meu amor, dorme...


sexta-feira, 23 de julho de 2010

Quase-choro




Quando a alma goza, os olhos quase choram.
E eu engrandeço por ti.
(Se você se pronunciar, eu te calo a boca com um beijo!)

Por que não caibo nessa cidade

É uma amiga a agitação. Sempre aqui, sempre espreitando, dizendo que algo falta. E falta demais
Quem sabe por isso sou um mundo de alternâncias. Muito vermelho, ora quase azul.
O desconhecido que me leva ao medo. Que me leva ao desejo. Que me traz até você.
Se não há explicação para a distribuição das pessoas sobre a terra, sabemos que distância é um estado momentâneo que suplica por mudança. Minha, sua. nossa. Um marco zero, talvez.
Em noites que passam mais rápido do que se merece. Em palavras que me envolvem.
Eu só tenho a escolha de ser sua porque já sinto que és meu.
... e nossas letras já sabiam o que nossa razão desconhecia. Entre nós era amor.

sábado, 17 de julho de 2010

Ainda bem...

Não vou...

Que eu não sou ninguém de ir em conversa de esquecer
A tristeza de um amor que passou
Não, eu só vou se for pra ver uma estrela aparecer
Na manhã de um novo amor
(Canto de Ossanha - Toquinho)

Ainda bem que tenho você
Pra me lembrar que só podemos nos deter no aqui e agora
Só podemos ser felizes porque ainda hoje uma ligação faz sentido
Não quero compromissos para amanhã porque, pelo que me conheço, isso é uma possibilidade sob eterna ameaça.
Fecho com você que nosso melhor tempo é o que temos quando o dia finda ou quando chega ao meio, (agora, agora!), ainda que o cotidiano invada nossas conversas e de longas elas se transformem em fracionadas...
Fico contente quando tudo em você me convence de que não faz sentido minhas resistências a nós, ao que não consigo explicar, ao que foge de qualquer lógica capenga que sustente minha desesperada necessidade de controlar as emoções. 
E seu respeito ao que não deves saber me faz pensar - ou a querer, talvez - que meus defeitos em série se deram até aqui porque não tinha conhecido a compreensão mais que empática. E gosto do que tenho agora.
Freio-de-mão em franco desuso... 
De resto é não manter o foco no passado e esperar pra ver o que aparece na manhã de um novo dia, de preferência, antecedido por uma madrugada com você.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Do dia sem respostas

E o dia começou e terminou me solicitando certezas.
Como posso dar a alguém o que não possuo?
Voltar? Improvável, muito improvável.
Adiante? Ainda um desejo obscuro.
Que o amanhã seja mais suave e gentil
Mas não se esqueça de passar rápido
Pois quero de volta o tempo em que mesmo as falsas certezas me bastavam

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Escondidos

Desse jeito vão saber de nós dois

Dessa nossa vida
E será uma maldade veloz
Malignas línguas

Nossos corpos não conseguem ter paz
Em uma distância
Nossos olhos são dengosos demais
Que não se consolam, clamam fugazes
Olhos que se entregam, olhos ilegais


Eu só sei que eu quero você
Pertinho de mim
Eu, quero você dentro de mim
Eu, quero você em cima de mim
Eu quero você


Desse jeito vão saber de nós dois
Dessa nossa farra
E será uma maldade voraz
Pura hipocrisia

Nossos corpos não conseguem ter paz
Em uma distância
Nossos olhos são dengosos demais, demais
Que não se consolam, clamam fugazes
Olhos que se entregam, olhos ilegais


Eu só sei que eu quero você
Pertinho de mim
Eu, quero você dentro de mim
Eu, quero você em cima de mim
Eu quero você

(Ilegais- Vanessa da Mata)
Pensando em sair de uma ilegalidade que meus receios teimam em criar.
Até ter certeza dos próximos tantos passos que podem me levar ao seu encontro, continuo a desejá-lo perto, dentro e encima de mim.
Ou você tem melhor lugar para estar?
Querendo ser uma cidade para te acolher!
 

domingo, 11 de julho de 2010

Bons sonhos

Dorme, porque o dia já chegou.
Feche os olhos e se permita ao descanso. Eu te velo. Eu te cuido.
Toco suavemente seu rosto, seu cabelo porque eles precisam ser avisados que a batalha já foi vencida e é direito do vencedor o repouso. Ao meu lado, se possível, nos meus braços. Esse é o espaço que lhe cabe por honra...
Por que me amou e me completou onde nem eu mesma supunha - ou gostaria de admitir - que a falta residia.

Dorme, porque todos os homens que lhe habitam - meu querido cavalheiro, meu amante devasso - precisam se refazer dos arroubos de nossas tantas horas.
E eu só quero ficar por perto, lhe registrando permanentemente em minha memória. Carregar seu gosto na boca, seu cheiro no corpo. 
Te proteger dos maus sonhos. Te trazer bons sonhos. Estar aqui quando acordares. Ser o primeiro signo a você ler.

Dorme, porque merecemos sonhar!

sábado, 10 de julho de 2010

E agora?

A tarde em mim convida para uma volta. Ver pessoas, deixar a pressa para uma segunda-feira qualquer.
Mas a tarde lá fora está chuvosa, não combina com o vestido de hibiscos coloridos que pensei em vestir.
Eu já sabia. Esse é o preço que se paga por querer "veranear" longe do litoral. Tudo bem. Mais me vale meu quarto cheirando a limão, barulho de pingo de chuva na janela do que qualquer engarrafamento para ir à praia. Sol não é mesmo meu astro preferido.
Com chuva ou não, melhor sair antes que eu me transporte entre antenas de celular até um mundo tão tão distante. E ficar conversando horas e horas na horizontal, com um dedo cutucando minha panturrilha.
Ou paro de resistir às tentações???

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Abriu-se a caixa...

De modo inesperado, lúdico e um tanto desajeitado, deu-se então um delicioso contrariar de acordos tácitos, que em vão ansiavam por resguardar alguma sanidade em meio aquela desmedida invasão do novo.
Quando tudo mudou? Difícil precisar. Mas, precisar já não era importante. Sentir o era. No escuro, com muitas possibilidades de acertos para uma primeira vez.
Ela lembra de uma dor que antecedeu ao convite para o toque suave nas costas. O afago que alimenta a pele. Como se quisesse convidá-lo para melhor lhe conhecer, ela passou delicadamente a mão onde lhe doía. E pensou: bom seria se aquelas mãos existissem para além da contiguidade dos seus ouvidos.
Um ar carregado de quereres lhe escapa. E nesse momento a respiração descompassada anunciava o que queria irromper.
Ela não disse, mas quando ele pronunciou seu nome com intonação de quem quer se revelar mas do que convém, muito esforço ela fez para não amplificar seus ais. Da próxima vez, o suspiro que lhe fervilhava a boca, vindo das entranhas, não seria  possível calar.
Profusão de sons e sussurros. O que era intensidade da pele pra dentro havia extravasado para cada canto do seu corpo e voz. Lânguida, retorcida e ofegante, ela cedeu a todos os convites que ele lhe fez. O existir definia-se nas ordens dele.
Quando tudo rodou e pouco importava se o algo naquele cenário fazia sentido, um quase-choro embargou seu gemido derradeiro.
...E ela conta que foi feliz para sempre, até o próximo recomeço. 

terça-feira, 6 de julho de 2010

Mais uma dose de incerteza

"Eu sei que você vê tudo o que eu faço
Eu sei que você lê tudo o que escrevo
Escrevo pra você!!!"
(Ludov )


Ser observado tornou-se uma condição peculiar na modernidade. Nunca mais anônimo. Nunca mais desapercebido. E são muitos os olhares percorrendo a extensão do ser e do fazer.
Te pergunto, porque há quem insista em não querer ver o que se agita diante dos olhos?

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Eu sempre quis saber

Onde esta você

É o que eu quero saber
Como se me descobrir
Só dependesse de lhe conhecer


E ainda que não saiba quem é
Lhe vejo andando pela cidade
Desejo é o seu disfarce
Só desconheço o nome e a identidade


Cadê Você
Eu quero rir
Quero sair e me divertir
Talvez se eu relaxar
Alguma coisa venha a surgir
O medo é que você ao entrar
Me encontre ali sonhando acordado
Quem sabe o que pode acontecer
É impossível que tudo dê sempre errado
Então você pode me aparecer
Fecho os olhos para melhor lhe ver

Onde esta você
É o que eu quero saber
Como se me descobrir
Só dependesse de lhe conhecer
(Cadê você - Lulu Santos)
 
Há muito que o sentimento encontra-se guardado num canto do peito. Quase preso, insistindo pelo direito de ser. Calma, calma, diria a sensatez do peito se ao menos se conseguisse fazer ouvir.
Às vezes, na ânsia de existir em toda sua plenitude, ou em qualquer uma que ele cria para si, o sentimento desconsiderar o todo e ama as partes, porque elas já lhe constituem mesmo antes que qualquer humor lhe percorra.
Um rosto por se definir, uma existência por ser tocada. Lugares. Um simples botão a apertar. Enter. Promessas de existir. Dessa vez vai! Não, infelizmente não foi, mas quem sabe... Quem sabe quando? Onde? Quem?
Só sei que isso está por aqui, por menos que ainda se queria admitir. Está ali e acolá também. E isso chega a ser um alento porque, quem sabe o meu vira a esquina e encontra o seu que está vindo daquela outra rua, se esbarram, e quem dirá o que pode acontecer no final?
Então podemos nos aparecer. E fecharemos os olhos para melhor nos ver.... e tudo fará mais sentido.
 
 

sexta-feira, 2 de julho de 2010

A culpa é do Dunga


O que mais doeu após os 90 minutos do fatídico jogo Brasil x Holanda, não foi saber que a seleção foi tecnicamente superior a uma
'pseudolaranja mecânica", no primeiro tempo (fomos felizes e nem sabíamos quanto chororó vinha em seguida).
Não foi saber que ainda não será dessa vez que meu filho participará de uma festa pela conquista do hexa...
O que me deixou muito injuriada com essa derrota besta da seleção é que acabaram-se meus sonhos de ser infinity até 2014.
Fique sabendo, Dunga, vou mandar minha conta de celular pra ti!
Você me paga. Ou melhor, paga a TIM.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Fim do ato.

Se o que você espera não vem, o que fazer?
Não esperar mais!

Retirada estratégica para respirar outros ares. Talvez mais pesados. Provavelmente menos intenso do que aquele que forçosamente tenho experimentado.
Ah, eterna menina. Ser mulher cansa, sabia?
Voltemos para um lugar mais seguro. O do mero consumo das letras e linhas. Deixar-se seduzir mais uma vez pela devassidão de Bukowski.
E se perguntarem por mim, diz que me afastei só por precisar da saudade.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Se eu fosse...

Se eu fosse ele...
Não temeria tanto.
Compreenderia que o passado precisa significar aprendizado e não engessamento.
Ousaria mais.
Sinalizaria o que deseja, o que precisa.
Pediria ajuda, se fosse necessário.
Colocaria os óculos.
Permitiria aproximação. Sem acordos ou expectativas. Só até onde não cause dor ou desconforto.
Aproveitaria as oportunidades do hoje, porque amanhã é muito distante. Imprevisivel.
Tomaria cuidado para não ser reativo. Repeli-la quando o que verdadeiramente quer é tê-la um pouco mais por perto.
Entenderia que ensaios são bem-vindos, preciosos até, mas que a necessidade de um próximo passo deve ser ouvida.


Se eu fosse ela...
Não desejaria tanto.
Compreenderia que o passado deixa marcas, para alguns, indeléveis. Tentar novamente pode ser insuportável.
Esperaria mais. Pediria para sua tolerância se apresentar.
Reconheceria os movimentos mesmo sutís dele. Um "eu desejo" ou "eu sinto" não seria uma tentativa?
Daria ajuda, se fosse solicitada. Seria continente para as desarrumações deixadas nele.
Tiraria a venda
Deixaria claro que não tem intenção de ir além do permitido. Provocar dor, só se for com consentimento.
Tomaria cuidado com o impulso de desaparecer, abandonar as intenções ao primeiro sinal de incerteza. O que de fato é dele e o que diz respeito ao seus medos?
Entenderia que o próximo passo pode nunca acontecer, e mesmo que seja só ensaio, a chegada dele faz das suas horas momentos especiais. E não era disso que ela sentia falta?


Se eu fosse eles...
Estaria igualmente perdida.

terça-feira, 22 de junho de 2010

Sob efeito do analgésico - bobagens de uma debilitada

Ando presa em um corpo doente e reinado por dores. Ora dente, ora estômago. Ora garganta, ora ouvido. Ora... tudo por aqui. Quisera eu poder me vitimar. Sei que, em grande parte, os responsáveis pelas minhas dores são os vícios aos quais também estou presa . Seria o preço que se paga pelo tal livre arbítrio?
Percebe que há uma hora em que você pode se acostumar com a dor, com suas oscilações, com a falsa impressão de que ela vai passar?
Estabeleci uma relação com minhas. Talvez para torná-las mais suportáveis, as vejo em cores passeando e piscando diante dos meus olhos fechados. Me concentro nelas. Penso mesmo que conversamos. Neste instante paro para ouvir cada porção do meu corpo e suas reações a nossa incómoda visitante. Parece irónico, mas me contemplo e me compreendo mais na dor que na felicidade. Quando feliz, quero mais é me misturar ao universo e por o que chamo de meu em expansão. Não ouvir nada, apenas o pedido do próximo desejo que quer se realizar.
Ainda que eu tente ser amiga das minhas dores. Ainda que eu goste dos ganhos secundários da vida de moribunda (comidinha especial, denguinhos da família, ócio legitimado...). Ainda que eu odeie trabalhar às segundas pela manhã, EU QUERO MINHA SAÚDE DE VOLTA!!!!


segunda-feira, 21 de junho de 2010

Deixa ser como será

"Deixa ser como será!

Quando a gente se encontrar
No pé, o céu de um parque a nos testemunhar...
Deixa ser como será!
Eu vou sem me preocupar.
E crer pra ver o quanto eu posso adivinhar...


Deixa ser como será!

Tudo posto em seu lugar
Então tentar prever serviu pra eu me enganar.
Deixa ser, como será!
Eu já posto em meu lugar
Num continente ao revés,
em preto e branco, em hotéis.
Numa moldura clara e simples sou aquilo que se vê"
(Retrato pra Iaiá- Los hermanos)




E você é capaz de acreditar em coisas que não consegue vê. Acredita no que lhe agita o peito ou lhe faz sonhar...
Traz consigo um carregamento de ideias e quereres todos arrumadinhos. Primeiro isso, depois aquilo mais. Não se iluda, nada disso é possível. É do ser as idas e vindas. Figura e fundo. Dinâmico. As motivações que duram um segundo. As certezas efêmeras. A dor... bom, essa dura mais do que se deseja. Ninguém sabe se vai dar certo, se valerá a pena dessa vez (ou alguma vez), se nosso egoísmo declarado não é mais uma defesa rota.
Atam-se os nós. Olhos embaçados. Tudo turvo.
O improvável era o óbvio. Estávamos lá e mesmo assim nunca nos encontramos.
Tentou-se das mais complexas interpretações, mas era só eu, você e cada um de nós.
Simples é decepcionante. Desolador pra quem inventou mirabolantes fórmulas para uma felicidade que não se pode inventar.