A tarde em mim convida para uma volta. Ver pessoas, deixar a pressa para uma segunda-feira qualquer.
Mas a tarde lá fora está chuvosa, não combina com o vestido de hibiscos coloridos que pensei em vestir.
Eu já sabia. Esse é o preço que se paga por querer "veranear" longe do litoral. Tudo bem. Mais me vale meu quarto cheirando a limão, barulho de pingo de chuva na janela do que qualquer engarrafamento para ir à praia. Sol não é mesmo meu astro preferido.
Com chuva ou não, melhor sair antes que eu me transporte entre antenas de celular até um mundo tão tão distante. E ficar conversando horas e horas na horizontal, com um dedo cutucando minha panturrilha.
Ou paro de resistir às tentações???
sábado, 10 de julho de 2010
sexta-feira, 9 de julho de 2010
Abriu-se a caixa...
De modo inesperado, lúdico e um tanto desajeitado, deu-se então um delicioso contrariar de acordos tácitos, que em vão ansiavam por resguardar alguma sanidade em meio aquela desmedida invasão do novo.
Quando tudo mudou? Difícil precisar. Mas, precisar já não era importante. Sentir o era. No escuro, com muitas possibilidades de acertos para uma primeira vez.
Ela lembra de uma dor que antecedeu ao convite para o toque suave nas costas. O afago que alimenta a pele. Como se quisesse convidá-lo para melhor lhe conhecer, ela passou delicadamente a mão onde lhe doía. E pensou: bom seria se aquelas mãos existissem para além da contiguidade dos seus ouvidos.
Um ar carregado de quereres lhe escapa. E nesse momento a respiração descompassada anunciava o que queria irromper.
Ela não disse, mas quando ele pronunciou seu nome com intonação de quem quer se revelar mas do que convém, muito esforço ela fez para não amplificar seus ais. Da próxima vez, o suspiro que lhe fervilhava a boca, vindo das entranhas, não seria possível calar.
Profusão de sons e sussurros. O que era intensidade da pele pra dentro havia extravasado para cada canto do seu corpo e voz. Lânguida, retorcida e ofegante, ela cedeu a todos os convites que ele lhe fez. O existir definia-se nas ordens dele.
Quando tudo rodou e pouco importava se o algo naquele cenário fazia sentido, um quase-choro embargou seu gemido derradeiro.
...E ela conta que foi feliz para sempre, até o próximo recomeço.
terça-feira, 6 de julho de 2010
Mais uma dose de incerteza
"Eu sei que você vê tudo o que eu faço
Eu sei que você lê tudo o que escrevo
Escrevo pra você!!!"
(Ludov )
Ser observado tornou-se uma condição peculiar na modernidade. Nunca mais anônimo. Nunca mais desapercebido. E são muitos os olhares percorrendo a extensão do ser e do fazer.
Te pergunto, porque há quem insista em não querer ver o que se agita diante dos olhos?
Eu sei que você lê tudo o que escrevo
Escrevo pra você!!!"
(Ludov )
Ser observado tornou-se uma condição peculiar na modernidade. Nunca mais anônimo. Nunca mais desapercebido. E são muitos os olhares percorrendo a extensão do ser e do fazer.
Te pergunto, porque há quem insista em não querer ver o que se agita diante dos olhos?
segunda-feira, 5 de julho de 2010
Eu sempre quis saber
Onde esta você
É o que eu quero saber
Como se me descobrir
Só dependesse de lhe conhecer
E ainda que não saiba quem é
Lhe vejo andando pela cidade
Desejo é o seu disfarce
Só desconheço o nome e a identidade
Cadê Você
Eu quero rir
Quero sair e me divertir
Talvez se eu relaxar
Alguma coisa venha a surgir
O medo é que você ao entrar
Me encontre ali sonhando acordado
Quem sabe o que pode acontecer
É impossível que tudo dê sempre errado
Então você pode me aparecer
Fecho os olhos para melhor lhe ver
Onde esta você
É o que eu quero saber
Como se me descobrir
Só dependesse de lhe conhecer
(Cadê você - Lulu Santos)
É o que eu quero saber
Como se me descobrir
Só dependesse de lhe conhecer
E ainda que não saiba quem é
Lhe vejo andando pela cidade
Desejo é o seu disfarce
Só desconheço o nome e a identidade
Cadê Você
Eu quero rir
Quero sair e me divertir
Talvez se eu relaxar
Alguma coisa venha a surgir
O medo é que você ao entrar
Me encontre ali sonhando acordado
Quem sabe o que pode acontecer
É impossível que tudo dê sempre errado
Então você pode me aparecer
Fecho os olhos para melhor lhe ver
Onde esta você
É o que eu quero saber
Como se me descobrir
Só dependesse de lhe conhecer
(Cadê você - Lulu Santos)
Há muito que o sentimento encontra-se guardado num canto do peito. Quase preso, insistindo pelo direito de ser. Calma, calma, diria a sensatez do peito se ao menos se conseguisse fazer ouvir.
Às vezes, na ânsia de existir em toda sua plenitude, ou em qualquer uma que ele cria para si, o sentimento desconsiderar o todo e ama as partes, porque elas já lhe constituem mesmo antes que qualquer humor lhe percorra.
Um rosto por se definir, uma existência por ser tocada. Lugares. Um simples botão a apertar. Enter. Promessas de existir. Dessa vez vai! Não, infelizmente não foi, mas quem sabe... Quem sabe quando? Onde? Quem?
Só sei que isso está por aqui, por menos que ainda se queria admitir. Está ali e acolá também. E isso chega a ser um alento porque, quem sabe o meu vira a esquina e encontra o seu que está vindo daquela outra rua, se esbarram, e quem dirá o que pode acontecer no final?
Então podemos nos aparecer. E fecharemos os olhos para melhor nos ver.... e tudo fará mais sentido. sexta-feira, 2 de julho de 2010
A culpa é do Dunga
O que mais doeu após os 90 minutos do fatídico jogo Brasil x Holanda, não foi saber que a seleção foi tecnicamente superior a uma
'pseudolaranja mecânica", no primeiro tempo (fomos felizes e nem sabíamos quanto chororó vinha em seguida).
'pseudolaranja mecânica", no primeiro tempo (fomos felizes e nem sabíamos quanto chororó vinha em seguida).
Não foi saber que ainda não será dessa vez que meu filho participará de uma festa pela conquista do hexa...
O que me deixou muito injuriada com essa derrota besta da seleção é que acabaram-se meus sonhos de ser infinity até 2014.
Fique sabendo, Dunga, vou mandar minha conta de celular pra ti!
Você me paga. Ou melhor, paga a TIM.
sexta-feira, 25 de junho de 2010
Fim do ato.
Se o que você espera não vem, o que fazer?
Não esperar mais!
Retirada estratégica para respirar outros ares. Talvez mais pesados. Provavelmente menos intenso do que aquele que forçosamente tenho experimentado.
Ah, eterna menina. Ser mulher cansa, sabia?
Voltemos para um lugar mais seguro. O do mero consumo das letras e linhas. Deixar-se seduzir mais uma vez pela devassidão de Bukowski.
E se perguntarem por mim, diz que me afastei só por precisar da saudade.
quarta-feira, 23 de junho de 2010
Se eu fosse...
Não temeria tanto.
Compreenderia que o passado precisa significar aprendizado e não engessamento.
Ousaria mais.
Sinalizaria o que deseja, o que precisa.
Pediria ajuda, se fosse necessário.
Colocaria os óculos.
Permitiria aproximação. Sem acordos ou expectativas. Só até onde não cause dor ou desconforto.
Aproveitaria as oportunidades do hoje, porque amanhã é muito distante. Imprevisivel.
Tomaria cuidado para não ser reativo. Repeli-la quando o que verdadeiramente quer é tê-la um pouco mais por perto.
Entenderia que ensaios são bem-vindos, preciosos até, mas que a necessidade de um próximo passo deve ser ouvida.
Se eu fosse ela...
Não desejaria tanto.
Compreenderia que o passado deixa marcas, para alguns, indeléveis. Tentar novamente pode ser insuportável.
Esperaria mais. Pediria para sua tolerância se apresentar.
Reconheceria os movimentos mesmo sutís dele. Um "eu desejo" ou "eu sinto" não seria uma tentativa?
Daria ajuda, se fosse solicitada. Seria continente para as desarrumações deixadas nele.
Tiraria a venda
Deixaria claro que não tem intenção de ir além do permitido. Provocar dor, só se for com consentimento.
Tomaria cuidado com o impulso de desaparecer, abandonar as intenções ao primeiro sinal de incerteza. O que de fato é dele e o que diz respeito ao seus medos?
Entenderia que o próximo passo pode nunca acontecer, e mesmo que seja só ensaio, a chegada dele faz das suas horas momentos especiais. E não era disso que ela sentia falta?
Se eu fosse eles...
Estaria igualmente perdida.
terça-feira, 22 de junho de 2010
Sob efeito do analgésico - bobagens de uma debilitada
Percebe que há uma hora em que você pode se acostumar com a dor, com suas oscilações, com a falsa impressão de que ela vai passar?
Estabeleci uma relação com minhas. Talvez para torná-las mais suportáveis, as vejo em cores passeando e piscando diante dos meus olhos fechados. Me concentro nelas. Penso mesmo que conversamos. Neste instante paro para ouvir cada porção do meu corpo e suas reações a nossa incómoda visitante. Parece irónico, mas me contemplo e me compreendo mais na dor que na felicidade. Quando feliz, quero mais é me misturar ao universo e por o que chamo de meu em expansão. Não ouvir nada, apenas o pedido do próximo desejo que quer se realizar.
Ainda que eu tente ser amiga das minhas dores. Ainda que eu goste dos ganhos secundários da vida de moribunda (comidinha especial, denguinhos da família, ócio legitimado...). Ainda que eu odeie trabalhar às segundas pela manhã, EU QUERO MINHA SAÚDE DE VOLTA!!!!
segunda-feira, 21 de junho de 2010
Deixa ser como será
"Deixa ser como será!
Quando a gente se encontrar
No pé, o céu de um parque a nos testemunhar...
Deixa ser como será!
Eu vou sem me preocupar.
E crer pra ver o quanto eu posso adivinhar...
Deixa ser como será!
Tudo posto em seu lugar
Então tentar prever serviu pra eu me enganar.
Deixa ser, como será!
Eu já posto em meu lugar
Num continente ao revés,
em preto e branco, em hotéis.
Numa moldura clara e simples sou aquilo que se vê"
(Retrato pra Iaiá- Los hermanos)
Quando a gente se encontrar
No pé, o céu de um parque a nos testemunhar...
Deixa ser como será!
Eu vou sem me preocupar.
E crer pra ver o quanto eu posso adivinhar...
Deixa ser como será!
Tudo posto em seu lugar
Então tentar prever serviu pra eu me enganar.
Deixa ser, como será!
Eu já posto em meu lugar
Num continente ao revés,
em preto e branco, em hotéis.
Numa moldura clara e simples sou aquilo que se vê"
(Retrato pra Iaiá- Los hermanos)
E você é capaz de acreditar em coisas que não consegue vê. Acredita no que lhe agita o peito ou lhe faz sonhar...
Traz consigo um carregamento de ideias e quereres todos arrumadinhos. Primeiro isso, depois aquilo mais. Não se iluda, nada disso é possível. É do ser as idas e vindas. Figura e fundo. Dinâmico. As motivações que duram um segundo. As certezas efêmeras. A dor... bom, essa dura mais do que se deseja. Ninguém sabe se vai dar certo, se valerá a pena dessa vez (ou alguma vez), se nosso egoísmo declarado não é mais uma defesa rota.
Atam-se os nós. Olhos embaçados. Tudo turvo.
O improvável era o óbvio. Estávamos lá e mesmo assim nunca nos encontramos.
Tentou-se das mais complexas interpretações, mas era só eu, você e cada um de nós.
Simples é decepcionante. Desolador pra quem inventou mirabolantes fórmulas para uma felicidade que não se pode inventar.
domingo, 20 de junho de 2010
A quem fingiu não me ver
Dia desses eu dei meu coração. Minto, dei o endereço do meu coração.
Dei senhas e coordenadas para que um certo ser não estranhe, não se assuste com quem de fato sou. Minhas falhas, minhas agruras de viver, meu riso farto, meu deslocamento de tudo que parece normal. Nem sempre sei por onde vou.
Dias. Muitos dias de espera. Isso me fez lembrar que nada faz muito sentido mesmo. Que todas as emoções são invenções minhas com alguma participação especial.
Desencontros em série. Deve ser coisas da vida, do destino, do karma de cada um de nós. Falando em karma, o seu deveria ser me ouvir, se desconsertar com minha presença, se permitir ir para uma outra direção. A minha.
Ah, hoje é dia de desnudamento e entrega.
E se você ler tudo sobre meu desejo de ser encontrada?
Problema é seu se achou algo com o qual não pode se deparar. Não consegue se decidir por ter... ou não!
Ah, meu bem....sai dessa e abra qualquer coisa. Que seja uma trilha para algum novo lugar. Porque não eu?
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