quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Invenção

Inventei um lugar novo para a felicidade gostar de morar.
Um novo mundo que comporta dois onde antes me parecia só caber um.
Eu invento - sempre inventarei - motivos para não me afastar do abraço, da barba e do beijo
Só não sei se sou capaz de inventar o riso quando você tiver que partir.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Coisa de menino

Meu amor é um menino
Que brinca com carrinhos em quase velocidade
Faz sonhos de rodas, ligas e carroceria
E diverte outros meninos
Quando lhes concede seus brinquedos - de tão pequenos, mágicos.
Meu amor sabe correr e até voar
Por que é feliz, como as (eternas) crianças ainda teimam ser.

MLJ


                                                      mais sobre carrinhos e o menino

domingo, 2 de janeiro de 2011

Saudade

Antes que o novo dia chegue, seu especial dia, quero dissipar qualquer pesar pela nossa distância. Porque se a saudade é dor que aturde, traz também em sí algum alento.
E quando ela faz arder por dentro, sou lembrada de quem insubstituivelmente quero. Do que me falta agora. De uma completude vivida com o outro.
Saudade foi me ver indo com você. Meu cheiro, meu afago. Meu gosto, minha solidão. E te rever, me rever, é tão necessário e urgente quanto realizar todas as formas de amar que inventamos.
A saudade que sinto de ti é um prazer na dor.  Porque das tantas dores que já me permiti sentir só a saudade de você me edifica e faz melhor.


Oh, pedaço de mim
Oh, metade afastada de mim
Leva o teu olhar
Que a saudade é o pior tormento
É pior do que o esquecimento
É pior do que se entrevar


Oh, pedaço de mim
Oh, metade exilada de mim
Leva os teus sinais
Que a saudade dói como um barco
Que aos poucos descreve um arco
E evita atracar no cais


Oh, pedaço de mim
Oh, metade arrancada de mim
Leva o vulto teu
Que a saudade é o revés de um parto
A saudade é arrumar o quarto
Do filho que já morreu


Oh, pedaço de mim
Oh, metade amputada de mim
Leva o que há de ti
Que a saudade dói latejada
É assim como uma fisgada
No membro que já perdi

Oh, pedaço de mim
Oh, metade adorada de mim
Lava os olhos meus
Que a saudade é o pior castigo
E eu não quero levar comigo
A mortalha do amor
Adeus

Pedaço de Mim - Chico Buarque

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Beijo

Acho que o roubei o primeiro beijo.

Igual aqueles que, na meninice, rouba-se do amiguinho mais querido, “perfeitinho”, especial.
De certo modo, o beijo foi mesmo num amigo desses, mas distante. Sem cheiro e nem gosto. Sem peso ou mão.
Foi num menino com a casa nas costas. Que ria e se escondia – tentava - atrás da coluna. Ria e quase não me achava.
Se fecho os olhos ainda posso vê-lo brincar.
Um beijo pode ser alegria do reencontro, carinho extravasado, atracar no porto certo.
Pode ser parque de diversão, recompensa e até alento.
Para tantas horas de voo
Ou tantos anos de espera.






domingo, 26 de dezembro de 2010

Banzo

Não sei se tenho mais saudade de você ou de sua cidade.
Agora, sofro de um banzo às avesas por tudo que ainda não vivi.

Te amo. em nosso primeiro natal.

MLJ

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

O visitante

Nas primeiras horas do dia ele chegou.
Trouxe consigo paz e a felicidade em seu sorriso sem som.
O cheiro da pele que se esforçou para sobreviver na memória.
O tempo que dá tempo de sorver o amor. De xícara e tabaco. Riso e afago. Lento e precioso
Ele veio
E ela sentiu que era mais
Inclusive feliz.


Foi tudo tão rápido e bom, que ainda é dificil entender que você não está mais aqui.
Ficou promessa de um volto logo (sem nunca ter partido). O desejo de te encontrar numa esquina amazônica. Uma certeza quase ingênua que isso ocorrera no instante seguinte.
As lembranças trasnbordam o olhar que já não é o mesmo sobre a cidade.
Esperando aviões. Esperando você.

MLJ

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Acorda

E quando eu vou embora

Eu sei que meu coração pode ficar com meu amor
É compreensível
Está nas mãos do meu amor
E meu amor faz isso bem
Meu amor faz isso bem


E quando os armários estão vazios
Eu ainda acho algo lá com meu amor
É compreensível
É todo lugar com o meu amor
E meu amor faz isso bem


Meu amor faz isso bem
Eu amo o meu amor
Somente meu amor segura a outra chave para mim
Meu amor, meu amor
Somente meu amor faz bem isso para mim


Meu amor faz isso bem
Nunca me pergunte porque
Eu nunca digo adeus ao meu amor
É compreensível
É todo lugar com o meu amor
E meu amor faz isso bem


Meu amor faz isso bem
Eu amor o meu amor
Somente meu amor faz bem isso para mim
(My Love - "Sir" Paul)


Sob a luz azul da tv, me misturo entre lágrimas, lençol e sua ausência.
A matéria saudade pesa demais quando o ouvir não te alcança.
- Acorda. Não me deixe tão em paz...
(porque isso já parece um vazio)
Vem ouvir o Paul
E me salve da falta
Pois somente você faz bem isso.


MLJ

sábado, 20 de novembro de 2010

Dos dias bons



Silêncio.
Para me entender melhor.
Solidão.
Para tirar férias em mim.
Distância
Para lembrar do que (de quem) seja verdadeiramente relevante.
Orar
porque tenho o que agradecer, pelo que chorar e do que me arrepender.
...

Hoje, e por muito tempo, é proibido me roubar de mim. Impedir minha doação às efemeridades, porque nelas sou mais feliz. Sem reboliço, sem excessos ou exaustão.
Fase intimista. Nada de super população no pensamento, mas, num intenso flerte com a serenidade.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Seu céu veio me visitar

O céu de hoje não se vê muito por aqui.
De um branco gelo, quase cinza. Cor morta, inexpressiva.
O habitual amarelo estava preguiçoso. Ainda dormia.
Eu já vi esse céu antes. O vi com você.
Lembrei do quanto já te amo. E quase isso a sua cidade.
Mas esses amores prescindem de tempo. Ou de visita, não?
Não. Parece que não.
MLJ



quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Outras tantas possibilidades

Porque nunca isso antes?
Como foi que cheguie aqui sem ao menos notar?
E se você tivesse ficado rico?
Se seu último amor ainda fosse o atual?
Se eu tivesse me deixado engedrar pela mesmice, pelo mais cômodo e óbvio?
E se não houvesse um dia 12, um vaso, violetas e presentes atrasados?
Como seriamos se o (pseudo)seguro tivesse me impedido de te ver?

...Das outras tantas possibilidades de estar neste exato lugar, deste exato modo, eu nunca saberei. Mas de certo, hoje teria sido mais uma sessão de cinema com o toque da solidão, de uma felicidade abortada, um viver desprendido... por ser solitário.
E se me falta lhe terao alcance dos meu carinhos de pele, nunca se afasta dos meus carinhos de alma.

Suprema felicidade parece ser não fugir do que a vida pode oferecer.Nem tão certa, nem tão errada.

ETA
MLJ