

Para mim, os extras de um filme, um bom filme, é como os segundos que antecedem a descoberta do presente, por de trás de um belíssimo e instigante embrulho. Ruim mesmo é quando a crítica de cinema meia-boca que me habita considera o filme indicado ao oscar, e ele não tem extras.... Pelo amor de Deus. Filme necessita de uma nota de rodapé, de um blablabla do elenco, uma intervenção do diretor, mesmo que ele seja o louco do M. Night Shyamalan - ele sempre me inquieta, seja de raiva ou me deixando com cara de débil mental, mas que ele parece louco, isso parece. E justo neste final de semana descobrir que só gostei dos filmes que vi, só lhes rendir reverência e credibilidade depois de ter devassado seus extras. Os filmes foram "Memórias de uma gueixa", de Rob Marshall e "Os sonhadores", de Bernardo Bertolucci. Vamos a eles.

O mais o mágico mesmo foi vê-las sendo despidas com prática, e solenidade é claro, porque Japão e ritual são quase sinônimos, pelos seus donna - uma espécie de cavalheiro n°1 (não necessariamente amante) da guiexa. E tem ocidental que não consegue abrir um sutian...
Meninas, a contra-capa do DVD faz jus ao filme quando lhe cita como uma história de Cinderella diferente. Acredito que não há mulher que não se reconheça na força e foco de Sayuri. Ah, e os olhos do Presidente valem todas as agruras que a pobrezinha passa para se tornar A gueixa. Confira e sonhe.

Como já havia dito, foi justamente a partir dos extras, que também este filme, tomou contornos perfeitos na minha preferência de "cinéfila". Vale a pena observar o minidocumentário, comentado em grande parte pelo próprio Bertolucci, sobre o fechamento da cinemateca francesa e os protesto estudantis em devesa do diretor da mesma, ocorridos em Maio de 1968, fato histório que é tomado como ponto de partida para a película. Destaco, como auge do filme as sequências em que Matthew (Michael Pitt) se nega a ser apenas um fantoche no mundo infantil dos irmãos gêmeos Theo (Louis Garrel) e Isabelle (Eva Green) e a última onde ele, também, faz cara de "a ficha caiu, numca fiz parte desse triângulo". Um adendo. Não sabia que o Bernardo Bertolucci era tão severo , leia-se escroto, com seu casting. Eu teria que fazer 386.000 exercícios de paciência por dia com ele.
Enfim, foi isso que descobrir nesse fim-de-semana que já está acabando. Mil emoções estimuladas de forma artificial, mas estimuladas, e isso é melhor do que não sentir nada. Esta semana espero estar mais animada com o trabalho, já que rezo a todos os meus santos para receber meus salários atrasados, e quem sabe, ter a certeza de que serei uma funcionária pública daqui há algum tempo.
No mais, mesmo que não pareça, meu coração ainda bate regularmente descompassado, ora de esperança e felicidade, ora de mágoas e tristeza.
Bons dias que virão para mim e para você.
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