sexta-feira, 9 de julho de 2010

Abriu-se a caixa...

De modo inesperado, lúdico e um tanto desajeitado, deu-se então um delicioso contrariar de acordos tácitos, que em vão ansiavam por resguardar alguma sanidade em meio aquela desmedida invasão do novo.
Quando tudo mudou? Difícil precisar. Mas, precisar já não era importante. Sentir o era. No escuro, com muitas possibilidades de acertos para uma primeira vez.
Ela lembra de uma dor que antecedeu ao convite para o toque suave nas costas. O afago que alimenta a pele. Como se quisesse convidá-lo para melhor lhe conhecer, ela passou delicadamente a mão onde lhe doía. E pensou: bom seria se aquelas mãos existissem para além da contiguidade dos seus ouvidos.
Um ar carregado de quereres lhe escapa. E nesse momento a respiração descompassada anunciava o que queria irromper.
Ela não disse, mas quando ele pronunciou seu nome com intonação de quem quer se revelar mas do que convém, muito esforço ela fez para não amplificar seus ais. Da próxima vez, o suspiro que lhe fervilhava a boca, vindo das entranhas, não seria  possível calar.
Profusão de sons e sussurros. O que era intensidade da pele pra dentro havia extravasado para cada canto do seu corpo e voz. Lânguida, retorcida e ofegante, ela cedeu a todos os convites que ele lhe fez. O existir definia-se nas ordens dele.
Quando tudo rodou e pouco importava se o algo naquele cenário fazia sentido, um quase-choro embargou seu gemido derradeiro.
...E ela conta que foi feliz para sempre, até o próximo recomeço. 

5 comentários:

Franck disse...

E que o próximo recomeço seja breve, duradouro e que sejam felizes, ou pelo menos, ela, né? Será que os 'canais' usados foram os certos dessa vez?
Um beijo no seu coração sensível e tenhas um bom fim de semana!

Carlos Augusto Matos disse...

Como disse o Franck: E que o próximo recomeço seja breve... Vamos?

Bjuxxxx

Felipe Sanches disse...

a reverberação dos sentidos, dos sentimentos mais primários, primitivos dá-se "de alma para alma".

muito bom!

Carolina disse...

Uau...adorei o texto. Que forte!

bjos meus

Julio Cesar disse...

Oi M., queria ficar apenas na Carolina ("ficar" na sua opnião, Carolina...rs..-eita palavra dificil de aplicar e escorregar no sentido hoje...rs...), mas...um texto que carrega todos os grandes adjetivos...e que erraria eu aqui em recortá-lo...(já reli umas 6 vezes...lendo as entrelinhas...lendo o que não escreveu...memorizando trechos e fechando os olhos, querendo identificar a intensidade desse relato-seja ou não ficticio, em que em meus conceitos, nunca há ficção ...pois o imaginavel é real para quem o vive-)reservando-me apenas para isso:
"E ela conta que foi feliz para sempre, até o próximo recomeço. "
Que demais...
...e que foto...TO-TAL-MEN-TE perfeita...
ah...ao menos uma coisa eu quero confessar: Nuca...esse refugio dos desejos... oasis recoberto por madeixas...descoberto por quem aventura-se nessas
'pradas'!..[suspiro]uuuff...


Julio